terça-feira, 23 de agosto de 2005

Falando de Marcas
(adaptado de Quim Lerrea, do livro Marcas de Francesc Petit, editora Futura) por Fernando Flessati, para Centro Universitário da Cidade

Todo o santo dia assistimos a uma batalha chamada de “a guerra dos símbolos”. Trata-se de um combate ingrato que se desenvolve na nossa mente. Diariamente uma quantidade incontável de marcas nos espera surpreender e tomar de assalto o nosso afeto e interesse.

Elas estão em todos os lugares, ocupando em nossa vida um espaço importante. Recorde que desde o seu despertador, a sua cafeteira, seu papel higiênico, suas torradas, sua manteiga, vão desfilando a sua frente em busca da sua atenção. E um contínuo desfile de sabonete, shampoo, carro, ônibus, imagem, roupas, comidas, lojas, governos, enfim um incontável número de símbolos que nos marcam a cada momento. Saltam dos jornais e dos televisores, gritam dos aparelhos de rádios e dos serviços de som, todas brigando pelo seu momento de gloria, a nossa impressão.



“Cada uma delas tem uma história para contar, um currículo próprio e um designer que a criou”.
O que são elas. Marcas, símbolos, logos, logomarcas, são uma combinação de sentidos, cores, emoções, traços, relevos e sonhos que entram pelos nossos sentidos e invadem a nossa vida.
O que pensava que as desenhou. Quem foi o seu pai idealizador, seu designer, ou quem a pariu. Refletir diante de cada criação imaginado por que isso ou o porquê daquilo pode ser uma viagem de busca de invasores de nossa mente e do nosso dinheiro.

Isso me faz relembrar as marcas para as quais já trabalhei, numa cruzada pela aceitação e pelo reconhecimento e a aceitação da opinião pública.

Diariamente ouço o sofrimento de alguém, um vendedor ou operadora de telemarketing, tentando dizer qual a marca que está promovendo e as incontáveis arrogantes respostas barreiras com que saudamos as desconhecidas: de onde, qual? Quem? Qual é a sua empresa mesmo?

O que faz o automóvel Mercedes ser um símbolo de qualidade e status?
Imagine se os produtos da Coca fossem vendidos sem a sua chancela?
Por outro lado, imagine se o café brasileiro que é tomado no exterior se fizesse acompanhar da marca do produto ao invés de uma vaga referência ao Brasil?

Indo mais longe, será que é concebível um mundo sem marcas e símbolos? Imagine o quanto de afeto que guardamos para cada um desses símbolos iria sobrar em nossos corações e mentes, sem sabermos qual o destino dar para toda essa energia poupada.

Desde criança arquivamos imagens de símbolos enquanto brincamos, aprendemos e nos desenvolvemos, como se tivéssemos um quartinho de guardados de marcas e logomarcas com as emoções, belezas, desgostos e prazeres auferidos. Assim nos lembramos da primeira bala, do cinema que fomos com a namorada, o nome de um amigo, a marca da primeira moto, enfim um mosaico de lembrança de nomes, sobrenomes, frases de efeito, belezas que nos emocionam pelo resto de nossas vidas.
Claro, claro dirá o leitor, muitas marcas se foram e não nos marcaram, muitas foram lampejos, mas muitas fazem parte da nossa estória e se hoje não estão mais presentes em nossas prateleiras, povoam as nossas memórias e emoções.
Nosso dicionarista mais famoso, Aurélio definiu Marca:
“...sinal que se faz num objeto para reconhecê-lo; desenho ou etiqueta de produtos industriais; categoria, espécie, qualidade, tipo; impressão, selo, cunho, carimbo, rótulo; sinal, nota ou indicação para se recordar algo; firma, assinatura, rubrica; Nome, expressão, forma gráfica que se identifica uma empresa, um produto, ou uma linha de produtos, logomarca, símbolo-marca;

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